5 regras para escrever unidades

Cinco quilómetros, ou 5 km, ou 5 kms? Os físicos têm grandes problemas com unidades, que são um assunto de complexidade arrepiante. Já no caso de quem só quer escrever de maneira que nenhuma professora de escola primária pudesse implicar, basta seguir meia dúzia de regras e recomendações das organizações internacionais que se ocupam da matéria. Com o quilómetro como exemplo, é fácil evitar vergonhas.

1. A palavra quilómetro escreve-se com minúscula inicial.

É o nome de uma unidade e a regra que se aplica aqui é da escrita em português; em alemão, por exemplo, escreve-se Kilometer, com maiúscula.

2. O símbolo de quilómetro é «km», duas minúsculas sem espaço no meio em redondo (isto é, sem itálico).

Resulta de combinar o símbolo de uma unidade de base do Sistema Internacional, m (de metro), e o prefixo k, minúsculo, do múltiplo quilo, de mil. Reforcemos, o símbolo de quilómetro não é «Km», com maiúscula.

3. Os símbolos só se usam a seguir a valores numéricos, isto é, escrevemos «5 km», mas não «cinco km».

O uso de «km» no meio de frases para poupar espaço é muito comum, mas um símbolo não é uma abreviatura, e usa-se de outra maneira. Na verdade, tirando alguns casos particulares (na verdade muitos, mas ficam para outra vez), o mais elegante é escrever «5 quilómetros».

4. Os símbolos repetem-se a seguir aos números.

Por exemplo, não se deve escrever «a distância era de 2 e 5 km, respetivamente». No entanto, pode escrever-se «a distância era de dois e cinco quilómetros, respetivamente». A razão é que neste segundo caso as regras, mais uma vez, são as da escrita em português. Nas unidades a regra é diferente.

5. Os símbolos são invariáveis e não se combinam com nomes por extenso.

Visto que os símbolos são invariáveis, deve escrever-se «5 km», e de maneira nenhuma «5 kms». Além disso, em cada caso devemos escolher entre o símbolo e escrever por extenso, por exemplo, devemos escrever «5 km/h» e nunca «5 km/hora». Escrever «5 km por hora» é igualmente absurdo, embora aí a regra seja apenas de bom senso e também de tradição tipográfica.

As unidades não foram criadas por Deus. São convenções, em muitos sentidos arbitrárias, mas foi tudo combinado em pormenor por aqueles que mandam. O assunto é mais interessante do que parece e ainda dá pano para mangas, mas se começarmos por aqui já podemos fazer muito boa figura e evitar ser considerados anarquistas perigosos.

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There is one comment

  1. 4 regras para escrever percentagens | Livros sem Papel

    […] Só há poucas décadas o símbolo e o conceito de percentagem entraram no uso diário e são reconhecidos por qualquer pessoa com um nível básico de escolaridade. Nos jornais há muitos erros em cálculos simples de percentagens, e havemos de voltar ao assunto. Aqui o objetivo é só ajudar quem tem dúvidas na escrita. Para arredondar a explicação, convém lembrar alguns hábitos geralmente respeitados em publicações profissionais, e não só em português. Por exemplo, não havendo restrições de espaço, em textos corridos é costume escrever «por cento» por extenso em vez de usar o símbolo, apesar de o valor numérico vir habitualmente em algarismos (ou seja, «4 por cento»). Só no início de frases é habitual escrever os números por extenso. Já num artigo de jornal acerca de estatísticas económicas ou comparações entre indicadores, por exemplo, em que há muitos valores em poucas linhas, é mais prático usar o símbolo («4%», mesmo que na página anterior tenha aparecido «4 por cento» numa referência isolada). Repare-se que as regras desta natureza devem ser decididas por cada publicação, ou editora, por exemplo. Estas são as que seguimos na Livros sem Papel, mas são também as mais usuais. No entanto, há regras que são definidas por organismos internacionais, por exemplo as respeitantes ao uso do símbolo «%», e em geral são as mesmas que se aplicam às unidades (veja https://livrossempapel.com/2014/07/04/5-regras-para-escrever-unidades). […]

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